Peça teatral Caseum – Nó na garganta

 

 

 

Ontem (domingo dia 22) fui assistir a peça Caseum, no Teatro Brigadeiro.

Era um romance que se passava na época da ditadura e um dos atores era meu filho Wictor Simões. Confesso que fui só porque se tratava de meu filho, mas meu cansaço era grande. Bem, chegando lá, me sentei em minha poltrona não esperando muito da peça, afinal quase todos eram atores fazendo suas estréias e eu como uma boa crítica, não esperaria muito deles. Assim que as cortinas se abriram, começou com uma cena em que eles corriam pelo palco, como se um estivesse pegando o outro e após alguns segundos, paravam e andavam como se fosse em câmera lenta, tudo ao som de Chico Buarque e Elis Regina. Após essa entrada, que para mim já foi triunfal, todos saíram e assim começou a peça.

Uma senhora encontra-se com uma “suposta” jornalista e essa pede que ela conte os verdadeiros fatos que aconteceram na época da ditadura, no qual essa senhora havia participado. As duas vão para um canto e sentam e a senhora começa então a relembrar os fatos, onde começa acontecer a cena no meio do palco. A luz desaparece das duas que conversam e passa a iluminar apenas o centro do palco onde se passa a historia.

Começa então a época da ditadura quando Castelo Branco ocupou o poder e começou a perseguir os chamados “comunistas”, que ali eram as meninas que tinham seus locais, onde rodavam o jornal criticando o governo e assim vai e que acredito que todos conheçam a historia da época. Entram dois soldados (um deles, meu filho) e o capitão, começam a armar planos para prender as moças e destruir tudo e todos que se colocavam contra o governo da época (1964). O capitão fez um excelente trabalho, a ponto de me deixar com raiva dele, o soldado (meu filho) deu tudo de si ali, me impressionou e até me surpreendeu, achei que ele estivesse batendo de verdade na pobre da menina, tamanha era a fúria que vinha dos olhos dele. Confesso que quis bater nele depois, de tanta raiva. Uma das cenas que me chocou, foi da menina que foi torturada no balde de água, e quando ela foi jogada no canto e toda machucada, a senhora que contava a historia, levanta-se e acolhe a menina no colo, que na verdade, era essa senhora no passado, foi emocionante a ponto de me arrancar lagrimas e arrepios.

A cena em que o capitão simula um estupro na atriz principal, me deixou de boca aberta, pois os dois fizeram parecer real, e até agora ao escrever me sinto arrepiada.

Acredito que quando alguém escreve e encena algo que nos arranca lagrimas, é porque esse alguém é muito bom, mas muito bom mesmo.

A peça teve um final surpreendente que não vou contar aos demais, porque quero que todos assistam. Foi um texto que teve a maioria das cenas com um fundo musical de Elis e Chico Buarque, e no fim, uma das atrizes terminou cantando um solo da musica Afasta de mim esse cálice e bem, aplaudi de pé!

Assim, termino meu relato dando os parabéns ao elenco, aos escritores que me fizeram chorar e me apaixonar pela historia. Creio que cada um deles terá um papel importante na historia da arte desse nosso Brasil. Foi uma estréia marcante e deveriam aproveitar para colocar a peça em andamento por todo o nosso país. Estamos no auge das pessoas que vem à publico ainda procurar parentes desaparecidos da época ou dar seus testemunhos sobre essa época, então creio que seria uma ótima oportunidade para todos aproveitarem.

Parabéns também a professora do E.T.A (estúdio de teatro amador) que fez um belíssimo trabalho com seus alunos.

 

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Mulher
Visitante número: